GEOMETRIA, COSTURA E RESISTÊNCIA

O SABER DA COSTUREIRA COMO PRÁTICA MATEMÁTICA E O MOVIMENTO NEGRO EDUCADOR NO BRASIL

Autores

  • Mailson Alves Farias Universidade Federal da Paraíba
  • Jussara Candida Correia de Oliveira Farias Universidade Federal da Paraíba
  • Wilder Kleber Fernandes de Santana Universidade Federal da Paraíba http://orcid.org/0000-0001-7569-499X

Palavras-chave:

Etnomatemática; Costura; Geometria; Movimento Negro Educador; Educação antirracista.

Resumo

A matemática escolar, historicamente estruturada a partir de tradições eurocêntricas, frequentemente é ensinada de forma descontextualizada das práticas culturais e do cotidiano de grande parte da população brasileira. Nesse cenário, a geometria costuma aparecer em livros didáticos e exercícios padronizados, distantes das experiências de estudantes periféricos, negros, quilombolas ou rurais. Em contraposição a essa lógica, a Etnomatemática, proposta por Ubiratan D’Ambrosio, defende a valorização das práticas matemáticas presentes nos saberes culturais e nas tecnologias tradicionais dos povos. Este ensaio discute a costura, prática historicamente associada a mulheres negras, como um campo de conhecimento que articula técnica, criatividade e cálculo, constituindo-se também como prática geométrica viva. Ao longo da história brasileira, especialmente desde o período escravocrata e no contexto pós-abolição, a costura foi um espaço de trabalho, autonomia econômica e transmissão de saberes entre mulheres negras, funcionando também como tecnologia de resistência cultural. O estudo dialoga com contribuições de autores como Abdias do Nascimento, Lina Bo Bardi, Nilma Lino Gomes e Kabengele Munanga, que defendem a valorização dos saberes populares e da cultura afro-brasileira nos processos educativos. O objetivo é compreender a costura como prática geométrica capaz de mediar o ensino de conceitos matemáticos — como área, proporção, simetria e escala — de forma contextualizada, interdisciplinar e socialmente relevante. Ao reconhecer esses saberes no currículo escolar, contribui-se para o fortalecimento de uma educação antirracista, em consonância com políticas educacionais como a Lei 10.639/03 e com os princípios do Movimento Negro Educador no Brasil.

Biografia do Autor

Mailson Alves Farias, Universidade Federal da Paraíba

Possui graduação em Licenc. em Ciências com Habilitação em Matemática pela Universidade Federal da Paraíba (2006), Especialização em Fundamentos da Educação: Práticas Pedagógicas Interdisciplinares e Mestrado em Matemática - PROFMAT UFPB. Tem experiência na área de Matemática, atuando como professor há mais de quinze anos na área de Matemática no ensino básico, com projetos e pesquisas que abordam principalmente os seguintes temas: educação matemática, educação, tablet educacional, tic (tecnologia da informação e comunicação) e geometria.

Jussara Candida Correia de Oliveira Farias, Universidade Federal da Paraíba

Graduada em Letras (Português/Inglês) pela Universidade Estadual da Paraíba (UEPB, 2010) e atualmente atuo como professora de Língua Inglesa na rede pública. Sou especialista em Fundamentos da Educação: Práticas Pedagógicas Interdisciplinares pela Universidade Estadual da Paraíba (UEPB, 2014). Também sou mestre em Formação de Professores pela UEPB e doutoranda em Linguística pela Universidade Federal da Paraíba (UFPB), na área de concentração Linguística e Práticas Sociais, com foco na linha de pesquisa Discurso e Sociedade. Desde 2023, sou membro do Grupo de Pesquisa Linguagem, Enunciação e Interação (GPLEI, UFPB).

Wilder Kleber Fernandes de Santana, Universidade Federal da Paraíba

Doutorando e Mestre em Linguística pelo Programa de Pós-graduação em Linguística (Proling) da Universidade Federal da Paraíba (UFPB). Mestre e Bacharel em Teologia (Faculdade Teológica Nacional, 2016); Mestrando em Arqueologia Bíblica (Faculdade Teológica Nacional, 2017) e Especialista em Gestão da Educação Municipal (UFPB, 2017). Atua nas áreas de Língua Portuguesa e Linguística, desenvolvendo pesquisas em teorias do discurso, especificamente a perspectiva dialógica dos estudos da linguagem. É integrante do GPLEI (Grupo de Pesquisa em Linguagem, Enunciação e Interação).  

Referências

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Publicado

2026-08-31