PALAVRAS QUE DESCOLONIZAM
PODER, RESISTÊNCIA E ENSINO DE LITERATURA NEGRA NO ESPAÇO ESCOLAR
Palavras-chave:
Ensino de Literatura; Racismo Estrutural; Injúria Racial; Poder e Resistência; Educação Antirracista.Resumo
Este estudo investiga o ensino de literatura como prática pedagógica de resistência ao racismo estrutural e à injúria racial no contexto do Ensino Fundamental. Fundamentado nos pressupostos teóricos de Michel Foucault e Mikhail Bakhtin, compreende a escola como um espaço de circulação de discursos, no qual se confrontam mecanismos de poder, processos de normalização e possibilidades de resistência. A pesquisa analisa excertos das obras O Saci, Caçadas de Pedrinho e Tia Nastácia e suas histórias, de Monteiro Lobato, buscando compreender como tais narrativas podem tanto reproduzir estereótipos étnico-raciais quanto favorecer leituras críticas e contra-hegemônicas quando mediadas por práticas pedagógicas reflexivas. Metodologicamente, trata-se de uma pesquisa de natureza qualitativa, de caráter bibliográfico e documental, ancorada na análise discursiva de textos literários e de referenciais teóricos que discutem relações de poder, discurso, racismo e educação. Os resultados esperados apontam para a compreensão de que o ensino de literatura pode ultrapassar a mera transmissão de conteúdos e constituir-se como espaço de problematização das desigualdades raciais, favorecendo a construção de subjetividades críticas e comprometidas com a justiça social. Conclui-se que a leitura crítica de obras clássicas da literatura infantil brasileira, articulada aos debates contemporâneos sobre relações étnico-raciais, pode contribuir significativamente para o enfrentamento das violências simbólicas e para a promoção de uma educação mais democrática, inclusiva e socialmente comprometida.
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