UMA ANÁLISE DO PLANO PENA JUSTA ACERCA DO ENFRENTAMENTO AO RACISMO NO CICLO PENAL

Autores

Palavras-chave:

Estado de Coisas Inconstitucional., Plan.o Pena Justa, Racismo Institucional., Michel Foucault., Sistema Prisional Brasileiro.

Resumo

O reconhecimento do Estado de Coisas Inconstitucional (ECI) pelo Supremo Tribunal Federal (STF), no ano de 2023, evidenciou a crise estrutural do sistema prisional brasileiro. Em resposta, o Conselho Nacional de Justiça (CNJ) elaborou o Plano Nacional para o Enfrentamento do ECI (PNEECI), conhecido como Plano Pena Justa, em 2024. O presente estudo tem como objetivo central analisar a proposta do Plano Pena Justa (versão consulta pública 2024), especificamente o eixo 4, que trata das Políticas de Não Repetição do Estado de Coisas Inconstitucional, com foco no problema da baixa institucionalização do enfrentamento ao racismo no ciclo penal. Este estudo emerge da constatação de que a população carcerária brasileira é majoritariamente composta por pessoas negras, jovens e empobrecidas, o que revela a permanência do racismo estrutural nas práticas punitivas do Estado. A pesquisa adota abordagem qualitativa, descritiva, bibliográfica e documental, com base na análise do documento e em referenciais teóricos, especialmente Michel Foucault (2012). Como resultado, observa-se que o plano extrapola competências do Judiciário, sem a devida articulação com o Legislativo e o Executivo. Além do mais, carece de prazos, metas claras e indicadores de eficácia. No que se refere ao racismo, limita-se à abordagem institucional, negligenciando o racismo estrutural. Conclui-se então que, sem a união entre os diferentes poderes, a participação da sociedade e um compromisso com a justiça racial, o plano pode acabar ficando só no papel, sem causar mudanças de verdade no sistema prisional do Brasil.

Biografia do Autor

Anyelle Samy Costa de Oliveira, Universidade Federal do Acre

Participou do Programa Institucional de Bolsa de Iniciação à Docência (PIBID) - anos 2014-2017, como Bolsista da Universidade Federal do Acre (UFAC), realizando atividades de iniciação pedagógica no ensino de língua francesa e língua materna em escola pública da cidade de Rio Branco/AC. Realizou cursos de extensão na área de língua francesa. Possui graduação em Letras - Francês pela Universidade Federal do Acre (2017) e graduação em Letras- Português pela Faculdade Claretiano. Possui mestrado pelo programa de pós graduação em Letras: linguagem e identidade, pela Universidade Federal do Acre (UFAC), atuando como bolsista/CAPES, onde participou do Grupo de Estudo em Análise de Discurso e Ensino de Línguas (UFAC/ CNpq). Atuaou como professora da Faculdade Euclides da Cunha e atualmente é professora substituta no curso de Letras Francês da Universidade Federal do Acre e doutoranda em Letras (PPGLI) na mesma instituição

Weima Paula Nogueira Lima da Cruz, Universidade Federal do Acre

Doutoranda no Programa de Pós-graduação em Letras: Linguagem e Identidade, Universidade Federal do Acre (ingresso 2023). Mestre em Letras pela Universidade Federal do Acre (2012-2014), na linha de pesquisa Linguagem e Educação. É Graduada em Pedagogia pela Universidade Federal do Acre (2004) e tem especialização em Pedagogia Gestora pela Faculdade de Educação Superior Acriano Euclides da Cunha (2009). Possui experiência como professora de Educação Infantil, Ensino Fundamental e Ensino Médio. Atualmente, é Professora da Universidade Federal do Acre, lotada no Centro de Educação, Letras e Artes.

Alan de Souza Prazeres, Universidade Federal do Acre

Doutorando em Letras pela Universidade Federal do Acre (UFAC, 2023). Mestre em Letras pela Universidade Federal de Rondônia (UNIR, 2019); Pós-graduado em Metodologia do Ensino Superior pela Faculdade Porto (FGV, 2018); Graduado em Letras: Língua e Literatura Portuguesa e Língua e Literatura Inglesa pela Universidade Federal do Amazonas (UFAM, 2015); Atuou na docência de Língua Portuguesa, Língua Inglesa e Metodologia Científica, com experiências profissionais na área de Revisão Textual, Ensino de Língua Inglesa e Docência no Ensino Superior.

Referências

BRASIL. Constituição (1988). Constituição da República Federativa do Brasil de 1988. Diário Oficial da União, Brasília, 5 out. 1988. Disponível em: https://www.planalto.gov.br/ccivil_03/constituicao/constituicao.htm.Acesso em 11 abr. 2025.

BRASIL. CONSELHO NACIONAL DE JUSTIÇA (CNJ). Plano Nacional Pena Justa: versão consulta pública – Sumário Executivo. Brasília: CNJ, 2024. Disponível em: https://www.cnj.jus.br/wp-content/uploads/2025/02/2025-02-07-pena-justa-sumario-executivo.pdf. Acesso em: 14 jun. 2025.

BRASIL. Ministério da Justiça e Segurança Pública. Secretaria Nacional de Políticas Penais. Relatório de informações penitenciárias – RELIPEN: 1º semestre de 2024. Brasília: SENAPPEN, 2024. Disponível em: https://www.gov.br/senappen/pt-br/servicos/sisdepen/relatorios/relipen/relipen-1-semestre-de-2024.pdf. Acesso em: 05 jun. 2025.

BRASIL. Secretaria Nacional de Políticas Penais. Sistema Nacional de Informações Penais: 15º Ciclo SISDEPEN. Brasília, 2024. Disponível em: https://www.gov.br/senappen/pt-br/servicos/sisdepen/relatorios/relipen/relipen-2-semestre-de-2023.pdf. Acesso em 5 de jun de 2025.

CERVO, Amado Luiz.; BERVIAN, Pedro Alcino. Metodologia científica. – 5. ed. – São Paulo: Prentice Hall, 2002.

CONSELHO NACIONAL DE JUSTIÇA. Vídeo institucional Pena Justa [vídeo]. Disponível em: https://www.cnj.jus.br/sistema-carcerario/plano-pena-justa/. Acesso em: 14 jun. 2025.

FOUCAULT, Michel. Vigiar e punir: história da violência nas prisões. Vozes, 2012.

GALVÃO, Luís Gustavo Soares. O papel dos Direitos Humanos frente ao Estado de Coisas Inconstitucional no Sistema Prisional Brasileiro. 2024. 63 f. Trabalho de Conclusão de Curso (Direito) – Universidade Federal de Mato Grosso do Sul, Campo Grande, 2024.

PAIVA, Vera Lúcia Menezes de Oliveira e. Manual de pesquisa em estudos linguísticos. – 1. ed. – São Paulo: Parábola, 2019. 160 p.

PRODANOV, Cleber Cristiano; FREITAS, Ernani Cesar de. Metodologia do trabalho científico [recurso eletrônico]: métodos e técnicas da pesquisa e do trabalho acadêmico. – 2. ed. – Novo Hamburgo: Feevale, 2013.

SEIDEL, Carolina Cunha. A escola no cárcere: subjetividades entre as grades. 2017. 172 f. Tese (Educação Escolar) - Universidade Estadual Paulista, Anhanguera, 2017.

SILVEIRA, Laura Guimarães da; TAWFEIQ, Reshad. O PROCESSO ESTRUTURAL E A IMPLEMENTAÇÃO DE MEDIDAS NA ADPF 347: O enfrentamento do Estado de Coisas Inconstitucional no sistema prisional brasileiro. Revista Brasileira de Direito e Justiça, v. 8, n. 1, p. 01-15, 2024.

Publicado

2026-03-12 — Atualizado em 2026-05-04

Versões