ENTRE A DOCÊNCIA E O CONTROLE: AS TENSÕES VIVIDAS POR PROFESSORES NO CONTEXTO PRISIONAL

Autores

Palavras-chave:

Atuação docente, Biopolítica, Educação prisional, Segurança

Resumo

A oferta educacional no sistema penitenciário é um direito subjetivo previsto em lei. No entanto, há uma discrepância entre o que é descrito em lei e sua aplicabilidade prática nos presídios, evidenciando contradições, negligências e dificuldades estruturais. A educação nas escolas prisionais está atravessada por duas perspectivas: de um lado, a tentativa de transformar a vida do aluno; de outro, o controle e a vigilância que adestram corpos considerados desviantes.  À vista disso, este estudo tem como objetivo central analisar os resultados de pesquisas sobre as tensões vividas por professores no contexto prisional. Esse objetivo foi perseguido a partir das perspectivas teóricas relacionadas ao controle e vigilância analisados por Foucault (2012) ao elucidar como se manifesta a biopolítica nas diversas formas de controle e disciplina no interior dos presídios. Para isto, optamos por realizar uma revisão bibliográfica de caráter qualitativo, na qual foram pesquisados artigos científicos produzidos entre 2010 e 2025. A seleção e análise seguiu critérios de relevância temática. Como resultados, os textos evidenciam tensões entre professores e agentes prisionais, marcadas por controle, vigilância e redução da autonomia no trabalho docente. A educação, embora um direito, é tratada como privilégio, sendo atravessada por negligência institucional. Observa-se o adoecimento físico e psíquico dos docentes, além da regulação de suas práticas por normas de segurança. A análise revela como a biopolítica atua sobre professores e alunos, indicando que o cotidiano escolar no cárcere está imerso em disputas de poder, disciplinamento e exclusão, o que demanda reflexões críticas e políticas mais efetivas.

Biografia do Autor

Uilamir Costa de Alencar, Universidade Federal do Acre

Doutorando em Letras: Linguagem e Identidade pela Universidade Federal do Acre (UFAC). Mestre em Ciências Ambientais pela Universidade Federal do Acre (UFAC, 2022). Especialização em Docência para a Educação Profissional e Tecnológica pelo Instituto Federal de Educação, Ciência e Tecnologia do Espírito Santos (2023). Especialização em Psicopedagogia pela Faculdade de Educação Superior Acriana Euclides da Cunha (2018). Graduado em Pedagogia pelo Centro Universitário Faveni (FAVENI, 2020) e em Licenciatura Plena em Geografia pela Universidade Pitágoras Unopar (UNOPAR, 2018). Tem experiência na área de Educação, com ênfase no Ensino de Geografia. Interessado em pesquisas voltadas para o ensino e aprendizagem, assim como a formação docente e educação escolar para jovens e adultos em situação de restrição e privação de liberdade

Anyelle Samy Costa de Oliveira, Universidade Federal do Acre

Participou do Programa Institucional de Bolsa de Iniciação à Docência (PIBID) - anos 2014-2017, como Bolsista da Universidade Federal do Acre (UFAC), realizando atividades de iniciação pedagógica no ensino de língua francesa e língua materna em escola pública da cidade de Rio Branco/AC. Realizou cursos de extensão na área de língua francesa. Possui graduação em Letras - Francês pela Universidade Federal do Acre (2017) e graduação em Letras- Português pela Faculdade Claretiano. Possui mestrado pelo programa de pós graduação em Letras: linguagem e identidade, pela Universidade Federal do Acre (UFAC), atuando como bolsista/CAPES, onde participou do Grupo de Estudo em Análise de Discurso e Ensino de Línguas (UFAC/ CNpq). Atuaou como professora da Faculdade Euclides da Cunha e atualmente é professora substituta no curso de Letras Francês da Universidade Federal do Acre e doutoranda em Letras (PPGLI) na mesma instituição

Rúbia de Abreu Cavalcante, Universidade Federal do Acre

É doutoranda do Curso de Pós-Graduação em Letras: Linguagem e Identidade pela Universidade Federal do Acre (2013). Atualmente é revisora de textos do Instituto Federal do Acre. Tem experiência na área de Letras, com ênfase no ensino de Língua Portuguesa

Jorge Fernandes da Silva, Universidade Federal do Acre

Jorge Fernandes (da Silva), Graduação em Pedagogia, (Ufac, 2008), Especialização em Gênero e Raça Pela UFOP em 2012. Mestrado em Educação pela UFAC (2016). Doutorado concluído no Programa de Pós-Graduação em Letras, Linguagem e Identidade pela UFAC (2023). Foi professor por 4 anos na educação básica do Governo do Estado do Acre, e da SEME em Rio Branco, (2008; 2011, 2012, 2013; atuou nas séries iniciais do ensino fundamental. Em 2012 publicou o livro "Negros na Amazônia acreana". É professor efetivo da UFAC na disciplina de Investigação e Prática Pedagógica desde o ano de 2014. Publicou em 2017 o livro: "Da trajetória escolar ao sucesso profissional: narrativas de professoras e professores negros." Desde de 2014 atua na docência na Universidade Federal do Acre na área de Didática, Investigação e Prática Pedagógica e Estagio Supervisionado. Também atua da docência dos programas de interiorização da UFAC, em 2009 e 2010, desde 2014 até a atualidade, atua na docência do Programa Nacional de Formação de Professores da Educação Básica - PARFOR em todos os municípios do Estado do Acre.

Referências

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Publicado

2026-03-23