ENTRE A DOCÊNCIA E O CONTROLE: AS TENSÕES VIVIDAS POR PROFESSORES NO CONTEXTO PRISIONAL
Palavras-chave:
Atuação docente, Biopolítica, Educação prisional, SegurançaResumo
A oferta educacional no sistema penitenciário é um direito subjetivo previsto em lei. No entanto, há uma discrepância entre o que é descrito em lei e sua aplicabilidade prática nos presídios, evidenciando contradições, negligências e dificuldades estruturais. A educação nas escolas prisionais está atravessada por duas perspectivas: de um lado, a tentativa de transformar a vida do aluno; de outro, o controle e a vigilância que adestram corpos considerados desviantes. À vista disso, este estudo tem como objetivo central analisar os resultados de pesquisas sobre as tensões vividas por professores no contexto prisional. Esse objetivo foi perseguido a partir das perspectivas teóricas relacionadas ao controle e vigilância analisados por Foucault (2012) ao elucidar como se manifesta a biopolítica nas diversas formas de controle e disciplina no interior dos presídios. Para isto, optamos por realizar uma revisão bibliográfica de caráter qualitativo, na qual foram pesquisados artigos científicos produzidos entre 2010 e 2025. A seleção e análise seguiu critérios de relevância temática. Como resultados, os textos evidenciam tensões entre professores e agentes prisionais, marcadas por controle, vigilância e redução da autonomia no trabalho docente. A educação, embora um direito, é tratada como privilégio, sendo atravessada por negligência institucional. Observa-se o adoecimento físico e psíquico dos docentes, além da regulação de suas práticas por normas de segurança. A análise revela como a biopolítica atua sobre professores e alunos, indicando que o cotidiano escolar no cárcere está imerso em disputas de poder, disciplinamento e exclusão, o que demanda reflexões críticas e políticas mais efetivas.
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